Na manhã desta sexta-feira 6, a ex coordenadora da vigilância epidemiológica do municipio de Itaju do Colônia, Carolina Ferreira concedeu entrevista ao blog Tribuna de Palmira, onde relata fatos que culminou na sua exoneração e sua atuação enquanto foi titular da pasta. Leia na íntegra a entrevista com Carolina Ferreira, onde com o conhecimento de causa, a mesma retrata a radiografia da verdadeira Saúde do municipio de Itaju do Colônia

Tribuna de Palmira- Qual período a senhora ficou à frente da coordenação da vigilância epidemiológica do municipio e quais as dificuldades encontradas nesse período?

Carolina Ferreira- Assumir a coordenação da vigilância epidemiológica em 06/01/2020, onde permaneci até 29/07/2021. As principais dificuldades foram as faltas de capacitações, pois a epidmologia é uma área muito abrangente e apenas um único profissional conseguir executar todas as suas atribuições com excelência é muito difícil. A vigilância epidemiológica está ligado e responsável por vários setores da saúde. Em março com o surgimento do coronavirus, o trabalho quadruplicou de tamanho. Infelizmente não há uma direção para as capacitações. Para conseguir participar de um treinamento enfrentamos dificuldades, tendo em vista que o profissional tem que aventurar uma carona com terceiros, ou em um veículo que sai de madrugada levando pacientes para procedimentos médicos ou consultas. Não é fornecido nenhuma ajuda de custo.

Tribuna de Palmira- Na sua publicação nas redes sociais a senhora classificou a secretária de saúde Caliane Duarte como incompetente. Quais exemplos a senhora poderia elencar de incompetência da mesma.

Carolina Ferreira- Posso elencar vários exemplos, a começar pela falta de diretor no hospital desde do ano passado. A secretaria de saúde assumiu essa função. Alguém já viu isso dá certo? Um hospital sem um responsável? Em visita a 7° Dires e em em reuniões me questionaram quem era o diretor do hospital. Eu dizia que não inha. Eles não acreditavam. Me questionavam quem era o responsável técnico pelo hospital. Eu nem sabia se tinha.

Devido a isso os profissionais que trabalham no hospital ficam sem uma liderança, sem alguém que faça essa função de checar o serviço, checar se os procedimentos estão sendo cumpridos, checar abastecimento de materiais e isso favorece o acontecimento de erros.
Muitas pessoas passavam em atendimento médico no hospital e não eram notificadas como suspeitos de covid, eu só descobria depois quando a pessoa me procurava para fazer teste ou exame. Se existisse alguém responsável pelo gerenciamento do serviço de saúde do hospital conseguiria treinar, cobrar e checar o fluxo de atendimento e corrigir as falhas.

Tribuna de Palmira- Na sua opinião e de acordo com o montante de recursos na ordem de mais de dois milhões que o município recebeu para o combate ao coronavirus, houve omissão, negligência e falta de aplicação dos recursos no epicentro da pandemia no município?

Carolina Ferreira- Desde que o coordenador da equipe de combate ao coronavirus foi desligado e a equipe desfeita o serviço aos pacientes suspeitos e confirmados de coronavirus ficou negligenciado. Com o fim das eleições, técnicas de enfermagem que não votaram na gestão foram desligadas, independentemente se iam ou não fazer falta a qualidade do atendimento, essas demissões aconteceram, sem medir as consequências.
É sabido pelo Conselho de saúde o qual foi informado a contratação de técnicas de enfermagem para as barreiras sanitárias e depois quando já não fazia mais sentido as barreiras sanitárias e as mesmas foram extintas, comunicou- se ao Conselho que essas técnicas continuariam atuando no combate ao coronavirus, porém diretamente no atendimento, o que de fato até o ano passado aconteceu. Porém após as eleição quando o ano acabou as técnicas destinadas ao covid passaram a atuar no hospital para cobrir a deficiência de profissional e o buraco ficou ainda maior com as demissões. Então os pacientes suspeitos de covid e até os já confirmados que precisavam de atendimento médico eram atendidos lá no hospital porque muitas vezes quem estava no plantão era a técnica do covid e não tinha outra para ser deslocada e ficar no centro do covid com o paciente. Os pacientes deixavam de estar lá no centro do covid, mais confortável, recebendo o atendimento adequado para ficar no isolamento do hospital. O problema é que a mesma técnica que estava cuidando do paciente suspeito ou confirmado também cuidava dos outros pacientes e transitava no mesmo setor de pacientes com outros problemas.

Tribuna de Palmira- Segundo informações a sua exoneração foi em função de sua ausência em uma feira de saúde. Ficou sabendo por terceiros. Em que pese a senhora afirmar que além da falta de ética considera também ato de perseguição?

Carolina Ferreira-

Eu gostaria que ficasse claro que minha indignação não é pelo fato de ter me demitido, até porque ninguém é eterno em uma função, a não ser funcionário concursado, ou chefe de estado de uma ditadura, um Rei….em fim fora isso ninguém é eterno em sua função. Minha indignação e repulsa é a falta de ética, de profissionalismo em ter sido a última a saber. Eu sobe através de fofoca, aliás isso é o que eles mais sabem e gostam de fazer. Eu comuniquei a ela antes de até comprar a minha passagem, que eu precisava ver minha mãe já que haviam 2 anos que eu não a via. Houve essa feira de saúde e já vieram me convocar com a função já certa que eu teria que desempenhar. Só que eu tenho 2 filhos, uma de 2 anos que ainda usa fralda, um bebê ainda, é um de 3 anos. Os dois dependem de um adulto em tempo integral. Minha mãe não mora aqui na cidade, a moça que me ajuda em casa trabalha durante a semana na parte da manhã e infelizmente com o que ganho não posso pagar hora extra, mas ela é uma amor de pessoa e nesse mês já tinha me feito vários favores. Teve o forró com vacina aqui e em Palmira aonde trabalhei o dia todo e ela ficou com meus filhos além do seu horário. Fui vacinar na zona rural e cheguei quase 8 da noite em casa e ela mais uma vez ficou com meus filhos. Fomos mais uma vez a zona rural e ela chegou mais cedo que de costume e saiu mais tarde.
Só que diferente do que eles pensam, as pessoas não tem a obrigação de trabalhar além do seu horário e não ganhar nada por isso, apenas obrigada. Então quando me convocaram para essa feira que foi ao Domingo eu disse que não podia porque eu tenho meus filhos e não tenho com quem deixar. Ainda tive que ouvir da secretaria uma indireta dizendo que ela também tem filhos! Te pergunto os filhos dela são pequenos como os meus? Usam fralda? Precisa dar comida na boca? Ela tem parente aqui na cidade? Tem dinheiro para pagar alguém para cuidar? Eles podem se virar sozinhos? Ela comparou o mesmo nível de cuidado dos filhos dela aos meus e sua situação.
Não gostou e não aprovou meu não comparecimento.
Como se não bastasse ainda na minha inocência eu fui dar uma andada com as crianças e passei lá aonde estáva acontecendo a feira, para pretigiar. Ainda vem a primeira Dama me perguntar porque eu não estava na fera, eu disse meu trabalho está aqui e mostrei meus dois filhos e ela disse que todo mundo que estava na feira também tem filhos.
Procura saber quantas pessoas trabalharam na feira e tem 2 filhos pequenos como os meus e não tem uma rede de apoio, pai ou mãe que moram aqui.
Tem funcionária que tem mesmo filho pequeno, mas tem a mãe que fica, infelizmente minha mãe mora longe daqui, porque se não com certeza ela ficaria com o maior prazer.
Memória curta demais, porque pelo tanto que fiz ser levado em conta apenas a presença em uma feira!
Já cheguei a sair de casa de noite pois a cidade tinha faltado energia e depois que voltou corri para a casa de uma pessoa aonde tinha internet para conseguir finalizar meu serviço. Quantos tardes sem fim de trabalho com barreiras, covid, reuniões em fim tantas horas extras que hoje mas vale o comparecimento em uma feira.

Tribuna de Palmira- Qual legado a senhora deixa no período em que coordenou a vigilância epidemiológica do municipio de Itaju do Colônia?

Carolina Ferreira- Foi cumprir os princípios do SUS universalidade, eqüidade e integralidade. Como enfermeira fiz um juramento e independente de valorização salarial, sempre tratei todos de forma igualitária, respeitosa e educada. Cuido de vidas. São seres humanos que necessitam de cuidados. Esse é o meu legado

Considerações finais-

Gostaria de ver nesse governo mais respeito pelos cidadãos. Vocês estão aí para trabalhar para o povo, independente se votou ou não. O tempo do voto de cabresto acabou. O voto é livre cada um vota em quem quiser. Parem de perseguir as pessoas.
Eu votei na gestão, estive com eles o tempo todo, carreguei meus filhos em caminhadas porque fomos eu e meu marido e não tínhamos com quem deixar, colocando até em risco, porque eventos políticos não é ambiente para bebês. Lutamos ao seu lado, nos indispomos com algumas pessoas defendendo o nosso voto e o pagamento eu é minha família ganhavámos foi essa imensa falta de respeito, consideração, ética e profissionalismo.
Eu, todos os funcionários e cidadãos merecemos ser melhores tratados.
A prefeitura de itaju do colonia é do povo e vocês estão aí de passagem para servir aos interesses do povo e não ao de vocês.

Carolina Ferreira.

Por: Wender Lima.

Da redação do blog Tribuna de Palmira

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