O restabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente Lula já é responsável por embaralhar o cenário político nacional com maior impacto no Nordeste e em São Paulo. Desde o dia 8 de março quando o petista teve seus direitos políticos restabelecidos, as atenções políticas se viraram para o ex-presidente e viram em seu nome musculatura suficiente para derrotar Bolsonaro em 2022. Essa avaliação já resulta em mudanças nas articulações políticas, bem como no comportamento de várias lideranças regionais, que começam a se rearrumar no campo da esquerda, enquanto o centro e aliados de Bolsonaro ficam emparedados, em compasso de espera.

        A próxima mexida no tabuleiro, que políticos estão esperando em busca dos caminhos para 2022, acontecerá no dia 14 de abril, quando o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) julgará a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações de Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, com isso colocou o ex-presidente com possibilidades de disputar a eleição presidencial de 2022. 

        Em São Paulo, logo que saíram as primeiras pesquisas eleitorais que apontaram Lula como único com possibilidades de vencer Bolsonaro, o cenário político para o próximo ano já mudou radicalmente. O governador João Doria, que vinha ensaiando disputar a vaga na presidência, mudou o discurso e já pensa na reeleição do governo paulista.

        Na Bahia, ainda que não oficializada, o PT já possui candidato, a do ex-governador Jacques Wagner, que já está com articulação avançada e que também sonha com chapa ao lado do ex-presidente Lula. A maior aceleração em sua candidatura vem acontecendo desde o dia 8 de março, quando o ministro Fachin anulou as condenações de Lula em Curitiba.

        No mesmo dia, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, Éden Valandares, postou em seu Twitter foto Jacques Wagner ao lado de Lula, com a frase: “Amanhã será um lindo dia”.

        Nos dias seguintes, após conhecimento de pesquisas eleitorais que colocaram Lula como o melhor nome para bater Bolsonaro, o petista declarou: “Todas as pesquisas evidenciam isso (força de Lula). Mas nosso foco hoje é oficialização da sua inocência e a anulação dos julgamentos. Está claro para a população baiana que a disputa se dará entre dois polos distintos: de um lado, Lula, Wagner, Rui e nossos aliados; de outro, Bolsonaro, João Roma, ACM Neto e a turma que dá sustentação a esse desgoverno federal que aí está”, ponderou Valadares.

        Na Bahia, que há 15 anos é governada por petistas, o governador Rui Costa (PT) deve ficar até o fim do mandato e não ser candidato a nada. Com isso, abre espaços para que o Senado Otto Alencar (PSD) possa buscar a sua reeleição. Com o PSD ao seu lado, o PT anularia parte das forças do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), bem como as forças de Bolsonaro. Seria ‘matar dois coelhos, com uma só cajadada’, haja vista que grande parte do PSD no Congresso Nacional, apoia Bolsonaro.

        No Nordeste, de nove estados, quatro são governados por petistas. Além da Bahia, Ceará, Piauí e Rio grande do Norte também apostam da força política de Lula para impulsionar as candidaturas, cada vez mais definas. No Rio Grande do Norte, a governadora Fátima Bezerra disputará a reeleição, no Piauí, o governador Wellington Dias trabalha o nome do secretário estadual da Fazenda, Rafael Fonteles.

        No Ceará, governado há sete anos por Camilo Santana (PT), a sucessão ainda depende das conversas com o PDT, principal aliado do governador petista, mas que tem Ciro Gomes na luta pela sucessão de Bolsonaro. Fato que deve atrapalhar uma composição estadual, cujas articulações também passam por acertos políticos em Pernambuco, que estuda candidaturas da deputada federal Marília Arraes.

        Marília disputou a última eleição de Recife e protagonizou com seu primo, João Campos (PSB), uma das mais acirradas disputas daquele pleito. Campos levou a capital pernambucana, mas Marília também saiu fortalecida e como referência para os petistas.

        Em Pernambuco, até achegada de Lula havia grande aproximação entre  PSB e PDT em torno da provável candidatura de Ciro Gomes. Mas agora, membros do PSB, já falam que uma composição com o PT não está descartada e que esta seria positiva para as duas partes.

        Agora, resta esperar o dia 14 de abril para se saber que rumo o plenário do STF dará ao destino político de Lula. No entanto, entre ministros da Corte, já há um “zum-zum-zum”, de que qualquer decisão do plenário não tirará Lula da disputa de 2022.

Por: Wender Lima

Da redação do blog Tribuna de Palmira

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